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O que Ele é?



*Por Ronaldo Jesus

Quem é esse Jesus para nós? Um “visionário apocalíptico” que podemos tranquilamente deixar de lado na historia? O “coitado salvador da humanidade que pensava poder redimir a humanidade” e acabou na cruz, como “exemplo de advertência” para tal “loucura”, como a ele se refere com certa melancolia Heimrich Heine em “Alemanha, uma lenda de inverno?” O “superstar” do “show business” eclesiástico e outros? Ainda vale a pena seguí-lo e trilhar o seu caminho? Ele que em Israel fracassou contra a presunção dos devotos da religião da Lei e os interesses do poder da alta camada religiosa e que, na “sua Igreja”, ou melhor, nas “suas igrejas”, não tem sorte muito melhor?
Mas não compartilhar ele este destino com todas as pessoas da história humana que ousaram mudar as condições dominantes – mudanças que não podemos abandonar ao campo de cadáveres da história, visto que todos necessitamos dela para poder sobreviver “entre lobos” numa sociedade assassina (Lc 10.3), sem também nos tornamos lobos? O que faz com que ele seja importante para nós? O que trouxe ele de salvífico na historia geral da perdição, ele, o crucificado Galileu da desprezada terra dos judeus, a quem um descendente posterior do seu povo, Franz Kafka, chamou de um “abismo cheio de luz”? É necessário ir atrás dos vestígios, eventualmente passar a limpo a história da sua acolhida. Não nos servem mais os inúmeros nomes que lhe foram dados. Para muitos estes se tornaram palavras vazias. Temos que buscá-la na sua história, ousar sempre de novo o “pulo de volta do tigre” ao passado, como exigia Walter Benjamin, se quisermos captar aquele momento critico em que o salvífico brilha como raio.
Cada um de nós só pode conseguir isso a seu modo particular. Aqui não se pode decretar nada. De minha parte tentarei a seguinte resposta: Jesus ousou viver a visão nascida da miséria e do desespero do seu povo oprimido pelas grandes potências da época e escravizado pelos seus próprios dirigentes, aquela visão de um mundo em que vale o dinheiro de Deus e não o dos vencedores e a todos é dada a possibilidade de uma plena felicidade. Com efeito, o que vemos somente são pessoas que por suas razões entenderam que o que ele é; não passava do filho do carpinteiro, do homem da discórdia da Lei mosaica para outros, do baderneiro em meio a uma Roma falida e escarnecida, de convictos ideais de democracia; o que vemos é a mesma multidão que adquiriu alguns benefícios em meio às curas, e num piscar de olhos estão assistindo e se divertindo com sua jornada pelos becos estreitos empoeirados rumo ao Gólgota. Dessa forma; quem é ele para nós, o que representa a nós; a igreja entendeu sua mensagem ao longo da história ou simplesmente nos escondemos nas montanhas do nosso egocentrismo, o que entendemos dele em nós; talvez não seja como aqueles a quem ele tanto se defrontou com sua época? E se, de fato, ele vive-se em nossos tempos? Como católicos e protestantes, que divergem a idéia de que os judeus o mataram pergunto-me, será que nós não faríamos a mesma coisa em nosso tempo? Ele com seus ideais seria bem visto na sociedade? Ele com sua pregação seria aceito em nossas tribunas? Com certeza mataríamos a ele também com seus pensamentos revolucionários, com sua ousadia e sabedoria de mostrar à realidade desse mundo à beira do Caos.

*Ronaldo Jesus é bacharel em Teologia (FAESP), Especialização em Hebraico Bíblico (FATISP), Certificado em Aramaico Bíblico (USP), cursando Filosofia (UNIFAI), profº do Núcleo de Teologia da FAESP e profº de Escola Bíblica Dominical na Assembléia de Deus

Deus amou o mundo

“E, abrindo Pedro a boca, disse: 
Reconheço por verdade
que Deus não faz acepção de pessoas”
(Atos 10.34)



 *Por Fernando Jesus

            Os ensinos e o testemunho de vida de nosso Senhor Jesus Cristo nessa terra foram claros em nos mostrar que Deus não faz acepção de pessoas, que todos os homens e mulheres são iguais perante o Eterno Deus. Afinal, como escreveu o apóstolo João: “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho Unigênito para que todo aquele que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Evangelho segundo João, capítulo 3.16). Note que Jesus morreu por toda a humanidade, para que todos que crerem n’Ele tenham a vida eterna.
            Jesus andava com pessoas que eram rejeitadas e discriminadas pela sociedade de sua época (prostitutas, cobradores de impostos...), era seguido por leprosos, levavam coxos até Ele, e pessoas com as mais diversas enfermidades e deficiências físicas.
            Se Jesus vivesse em nossa sociedade atual ele seria bem recebido em nossos templos, seria aceito em nosso convívio social, sentaria nos púlpitos de nossas igrejas, seria preletor em nossas festividades e convenções ministeriais? Ou Jesus seria aquele homem simples, de terno fora de moda (com somente dois botões, e não três), uma Bíblia bem usada, sapatos gastos comprados no brechó? Seria um homem de aparência não muito agradável para os padrões de beleza da sociedade; ou seria alto, forte, loiro e de olhos azuis ou verdes? Ou seria aquele irmão simples sentado no último banco da igreja que você nem sabe o nome dele, e nem ao menos olha nos olhos quando ele alegremente te dá “a paz do Senhor Jesus, irmão”?
            Deficientes auditivos, visuais, pessoas de mobilidade reduzida, pessoas especiais... Para muitos podem não merecer tanta atenção. Só que Aquele que está sentado no trono, e tem a terra como descanso para Seus pés, se preocupa e ama eles assim como ama você, que tem olhos perfeitos, fala, se locomove facilmente e desfruta de plena saúde física.
            Jesus não faz acepção de pessoas, aceita a todos nós, com nossas particularidades e peculiaridades, com nossas qualidades e defeitos. O mundo pode criar e estipular padrões de beleza, os pintores e o cinema podem mostrar um Jesus parecendo um galã da novela das oito, mas o Jesus que a Bíblia nos mostra é um homem simples, sem formosura alguma e experimentado em trabalhos manuais. Mãos marcadas de um marceneiro pobre.
            O ide de Jesus é para alcançar a todos, sem distinção de qualquer pessoa. A missão da Igreja é pregar o Evangelho a toda a criatura. O que estamos fazendo para alcançar aquele que não vê, que não ouve, que fala uma língua que não conhecemos, que tem uma cultura totalmente diferente da nossa? Precisamos revelar a todos – sem distinção, sem acepção de pessoas – que “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho Unigênito para que todo aquele que n’Ele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. 
*Fernando Jesus é freelancer 
e secretário de Missões
fernandojesus2012@hotmail.com

Plenitude do poder pastoral?


Lobo em pele de ovelha

                                                            *Por Ronaldo Jesus
Alguns procuraram reforçar esta asserção principalmente com aquelas palavras de Cristo a Pedro (Mateus 16.19): eu te darei as chaves do reino dos céus. Tudo que ligares sobre a terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares sobre a terra será desligado nos céus. Com essas palavras, como parece, Cristo prometeu, a Pedro tal plenitude de poder, que ele, sem qualquer exceção, pode tudo na terra.
Deste modo; que o Pastor não tem a plenitude do poder é algo que se demonstra claramente pelo que o apostolo diz (2 Cor 13.10), falando por si e por todos os prelados da Igreja: “Eis por que vos escrevo de longe, para que, estando presente, não tenha que usar de rigor, segundo a autoridade que o Senhor me deu para edificação, não para destruição”. Por estas palavras dá-se a entender que o poder apostólico foi instituído por Cristo principalmente para a utilidade dos súditos.
De fato, confiando suas ovelhas a Pedro, Cristo não quis em primeiro lugar providenciar pela honra, o proveito, a tranqüilidade ou a utilidade de Pedro, mas quis providenciar principalmente pela utilidade das ovelhas. Por isso não disse a Pedro: “Domine minhas ovelhas”, nem disse: “Faz de minhas ovelhas o que te aprouver, que venha a redundar em teu proveito e honra”, mas disse: “Apascenta minhas ovelhas”, como se dissesse: “Faz o que vem em favor da utilidade e da necessidade delas, e sabe que não foste colocado à frente delas para teu proveito, mas para proveito delas”.
Por isso, falando sobre João 10,1: “Quem não entra pela porta” etc., diz Santo Agostinho em uma homilia na qual as citações não são do mesmo, mas o texto parece do século XII: “Quem não entra pela porta, mas sobe “por outra parte”, isto é; quem não entra pelo chamado do povo, pela eleição dos irmãos, pela provisão de Cristo, mas por prêmio ou pela força dos parentes ou do poder, este não é pastor, mas ladrão e salteador. Demonstra-se, pois que alguém é pastor, somente se guardar as ovelhas, protegendo, defendendo e vigiando, se não procurar os ganhos terrenos, mas os celestes, se não defender seus interesses, mas os dos outros, de tal modo que não deseje o episcopado pela ambição do dinheiro, mas para aumentar a fé do povo, a fim de que com os fieis e para eles receba a retribuição eterna; não para ser senhor, mas pai; não para castigar e perseguir, mas para nutrir; não convém a um homem de Deus como tenho conhecimento odiar a alguém, mas amar a todos, incentivar os bons, corrigir os maus, os pastores não foram constituídos para dominar sobre a Igreja, mas serem modelos de todos e para, com seu exemplo, edificarem a todos e não perderem a ninguém.
Portanto, os pastores serão réus de tantos homicídios quantos forem os que perderem por seu exemplo ou não guardarem com sua vigilância. Cristo constituiu-os guardadores de almas, não cultivadores de campos. Todos os que, abandonando a doutrina de Cristo, dos apóstolos e dos que almejam a excelência do cristianismo e que por alguma razão vivem ou ensinam diferente, não são pastores, mas pseudopastores, pois não seguem nem os exemplos nem a doutrina de Cristo. 
*Ronaldo Jesus é bacharel em Teologia (FAESP), Especialização em Hebraico Bíblico (FATISP), Certificado em Aramaico Bíblico (USP), cursando Filosofia (UNIFAI), profº do Núcleo de Teologia da FAESP e profº de Escola Bíblica Dominical na Assembléia de Deus

Reflita

Um caminho para a compreensão
da essência da loucura


*Por Ronaldo Jesus

O que quer que os mortais geralmente digam de mim - e não ignoro quanta má fama que tenho pela filosofia, dentre os mais loucos - todavia, eu digo, eu sozinho acalmo com a minha influência os homens que me rondam. E as provas mais convincentes: que logo que aqui cheguei, diante da numerosa assembléia, todos os rostos, vossos aplausos e sorrisos em seus bancos de esperança à espera de um milagre.
É como acontece quando o sol mostra à terra o seu belo rosto dourado, ou como vemos, nos grandes montes onde habitamos, o duro inverno, de novo, na encantada primavera, a brisa sopra a sua suave carícia, e como que sobre o esplendor do Criador tudo muda de  aspecto e assume nova cor, e como uma nova juventude renasce; do mesmo modo vós, ao  ver-me, e o que os grandes oradores podem a custo conseguir, com longos discursos longamente meditados com interpretações um tanto quanto emocionalistas sem muitos resultados, eu, ao meu ver, num instante do acalanto do povo que é conduzido, penso, embora o tormento das preocupações me vem a ferir.
O próprio Cristo, que é a Sabedoria do Pai, de certa maneira se fez estulto Ele mesmo para vir em socorro à loucura humana, quando, assumindo a natureza humana, apresentou-se como homem; do mesmo modo que se fez pecado, para nos redimir do pecado. E com seu sacrifício, e sua determinada missão, não quis nos redimir senão com a loucura da cruz, e valendo-se de apóstolos indoutos e obtusos, aos quais deliberadamente prescreveu as vossas insipiências, afastando-se da plena sabedoria divina, chamando-os a seguir o exemplo das crianças, dos lírios, da mostarda e dos passarinhos.
Mas, para não entrar em grandes delongas, e para oferecer-vos a essência das coisas, em minha opinião toda religião cristã tem uma espécie de parentesco com a loucura e, absolutamente, não se dá bem com a sabedoria. Se porventura queres provas, observai, em primeiro lugar, aqueles que mais encontram prazer nas funções sagradas e em todas as coisas da religião, que se acostam sempre aos altares, mas que não conseguem ao menos olhar ao redor de uma sociedade à procura de uma vida plena com o seu Criador. Em segundo lugar, vede todos aqueles primeiros fundadores da igreja: eles abraçavam uma vida de extraordinária simplicidade e eram inimigos irreconciliáveis da cultura, dos povos, da sabedoria, da filosofia, do conhecimento.
       Finalmente, não existem loucos mais desvairados do que aqueles que alguma vez se deixaram tomar pelo ardor da piedade cristã: dissipando os seus bens, sem se preocupar com as ofensas, deixando-se enganar, não distinguindo amigos de inimigos, tendo horror ao prazer, alimentando-se de jejuns, vigílias, lágrimas, labutas e injúrias, desinteressados da vida, não ansiando senão a morte. Resumindo, tornando-se, parece, absolutamente insensíveis ao senso comum, como se o espírito estivesse noutro lugar, e não dentro do corpo. E o que é isso senão loucura? Não é de surpreender que os apóstolos parecessem bêbados de vinho doce, ou que São Paulo tenha parecido louco ao juiz Festo.

*Ronaldo Jesus é bacharel em Teologia (FAESP), Especialização em Hebraico Bíblico (FATISP), Certificado em Aramaico Bíblico (USP), cursando Filosofia (UNIFAI), profº do Núcleo de Teologia da FAESP e profº de Escola Bíblica Dominical na Assembléia de Deus